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terça-feira, 9 de março de 2010

Quando menos se espera


Lá estava ela na fila do banco usando seu shortinho jeans surrado, com uma camiseta antiga do pink floyd e um coque preso no alto( nesse dia não passou blush como de costume). Até para malhar ela usava blush, pois sua a materna dizia o tempo todo que o blush dava vida e saúde ao rosto da mulher e ela nunca mais esqueceu disso.
Estava com um visual "bem de casa", perfeito pagar as contas no banco e voltar a tempo para alimentar os gatos. Tinha 2 gatos e um amor incondicional por eles que carinhosamente chamava de: Mozart e Beethoven.
Eles haviam se tornado seus maiores companheiros após o término com Ricardo, seu namorado havia 5 anos.
O relacionamento era tranquilo e ponto. Marina tinha uma vida estável e Ricardo era engenheiro, eles poderiam muito bem ter se casado e até pensaram nisso algumas vezes, mas nunca quiseram dar um passo adiante, apesar da família inteira perguntar quando sairia o casório.
No fundo eles percebiam que não tinham sido feitos um para o outro. Eles já não sentiam mais vontade de arriscar, de seduzir, de viajar juntos.Tudo tinha virado uma mesmice, sem nenhum tesão, quase como uma comida sem tempero.
Marina nem sempre tinha sido a mulher mais tranquila do mundo, já fora ciumenta em outras relações, mas há anos que já não sentia mais esse "medo de perder" Ricardo.
E todos os dias eles sonhavam com o dia em que conheceriam alguém que os fizesse sentir aquele friozinho na barriga novamente, que tirariam eles daquela relação preto e branco.
Tudo isso estava muito distante da realidade dos dois e um belo dia Ricardo resolveu tomar a iniciativa. Mandou um e-mail meio sem coragem para a namorada dizendo: "Precisamos conversar."Pensou algumas vezes antes de clicar na tecla enviar, mas mandou antes que mudasse de idéia.
Ela estava no trabalho quando leu e respondeu logo em seguida: "Tudo bem".
Lembrou já ter ouvido de um ex namorado essa mesma frase e sabia que não era coisa boa, mas não se desesperou porque sabia que um dia isso iria acontecer, querendo eles ou não.
Era sexta-feira a noite e Ricardo apareceu todo molhado da chuva com uma cara de cãozinho que caiu do carro de mudança.
Ela olhou e esperou que ele emitisse o som das palavras.
Ela pegou na mão dele e ele começou a chorar sem parar. Ela o abraçou e sem mais palavras eles terminaram. Não bateram boca, não quebraram pratos e muito menos xigaram um ao outro, simplesmente entenderam que era o fim.
A família dos dois não entendiam como aquilo tinha acontecido, afinal de contas eles eram tão "perfeitos" um pro outro. Nunca brigavam e estavam sempre juntos.
Marina fechou a porta e ao invés de sentir-se aliviada pelo fim daquele fardo sentiu-se deprimida. Começou a chorar inconsolavelmente enquanto as amigas diziam que aquilo iria passar e quem sabe eles voltariam.
Aí ela chorou mais ainda, pois apesar de estar sofrendo com a perda do ex, não queria voltar pra aquele namoro sem sal.
Sempre soube que queria algo mais e que seria incapaz de sentir isso com Ricardo e de fazê-lo sentir também. Eles eram o casal mais perfeito e imperfeito da face da terra.
Tinham quase tudo que poderia se querer, mas faltava o algo a mais, o tempero que dava sabor ao relacionamento e eles viviam frustrados e infelizes porque sabiam que só encontrariam isso se tomassem rumos diferentes.
Depois de alguns potes de sorvetes, semanas de solidão, filmes de romance e muita choradeira, Marina resolveu pedir ajuda às universitárias. Lembrou das amigas dos tempos de faculdade e ligou para marcar um programinha.
Lembrou que elas eram super animadas e o melhor: Estavam sempre solteiras! Nada melhor do que sair com amigas solteiras para acabar com uma fossa pós-namoro.
Com cabelo pronto, maquiagem perfeita e vestidinho novo, Marina e as amigas seguiram em direção a mais nova boate de Curitiba. Foram de táxi já que ninguém queria ser a motorista da vez.
Ambiente legal, música ótima e um monte de pirralhos. Deu uma analisada geral e só viu meninos da faixa etária de 18 a 23 anos, o que seria ótimo se ela ainda estivesse nos tempos de matinês . Marina quase quis se afogar na pia do banheiro feminino e pensava: Aonde foram parar as pessoas da minha idade?
Se sentiu a mulher mais velha e feia do lugar, quando derrepente percebeu que os meninos não paravam de olhar pra ela.
Superada a crise de idade, decidiu que aquela seria sua perfect night. Música alta, amigas divertidas, drinks exóticos e ainda por cima estava fazendo sucesso com os "pirralhos"e o melhor sem nenhuma preocupação em seduzir ninguém.Não precisava fazer pose, fingir que era recatada, nada disso tinha importância naquela noite.
Voltou pra casa com uma sensação incrível de felicidade e liberdade. Aí lembrou que deveria ser efeito dos martinis e do Sex on the beach. Imaginou que o dia seguinte seria de ressaca, mas não estava nem aí queria curtir aquele momento.
Acordou com cara de dia anterior e foi assim mesmo pagar a conta de luz vencida no banco da esquina.
Apesar da dor de cabeça sentiu-se leve e sorria pra tudo. Era a sensação de uma mulher apaixonada por si mesmo e que tinha acabado de se redescobrir.
Depois de anos acomodada num relacionamento estável, descobriu-se mulher de novo, enxergou sua personalidade com mais clareza, descobriu-se desejada e cheia de desejos também.
Na fila do banco encontrou uma vizinha, uma daquelas senhorinhas que adoram falar sobre as dores que estão sentindo pelo corpo, mas Marina estava tão leve que nem se incomodou em ouvir as reclamações de Dona Edite.
Estava tão sorridente que parecia ter sido a última ganhadora da mega, foi quando distraída esbarrou sem querer no braço da vizinha e deixou a conta com o dinheiro cair no chão.
Abaixou, pegou e assim que levantou a cabeça viu um moreno de olhos castanhos sorrindo pra ela. (provavelmente ele já estava reparando naquela alegria toda que ela esbanjava). Ela nem se deu conta, mas  quando viu ficou com o rosto completamente ruborizado (nem precisou de blush), sentiu um frio do Alaska no estômago e pensou consigo mesmo que agora tinha voltado a enxergar as cores do mundo.

7 comentários:

Equipe de Redação Ih! Bloguei... disse...

Juju....AMEEEEEEEEIIIIIIIIIIII...Parece até que eu conheço a Marina...Nossa incrível...seu texto me tocou muito...talvez pq esteja por aí atrás desse frio do alaska...rsrsrs...Show! Vou sempre te visitar...e quero que um dia desse pensemos em algo legal para vc escrever lá no blog tb!!! Bjuuuss Mari / Formatura chegando!hehehe

M. Martins disse...

Nossa, realmente muito bom!!!!

Queria a continuação :)
parabéns, escreva mais....

Juliana Ribeiro disse...

Com certeza Mari, terei mto prazer!!!
E Domingo estaremos lá firmes e fortes na nossa colação devidamente fantasiadas com plumas!rs

Bjossss

Olive disse...

AHH! muito fofo o jeito que você escreve ;D
eu gosteei ;)

Diogo C. Scooby disse...

Me lembrou uma música do Herbert Vianna que diz:
"Vai sempre sobrar/faltar
Alguma coisa somos imperfeitos
E o que falta cega pro que já se tem.
Eu não te completo, você não me basta mas é lindo o gesto de se oferecer."

E essa garota da história...Deixaria a maioria dos homens apaixonado.

Gostei do blog. Não conhecia e voltarei mais vezes!!

Abraço!

Juliana Ribeiro disse...

Obrigada Diogo! Adorei essa letra não conhecia e vou procurar agora no youtube pra ouvir!Quem sabe insiro ela no texto né?rs
Bjosss


PS: Adoro trocar figurinhas com vcs através dos comentários!
Obrigada!

Fogo disse...

Juliana, não conheço a sua escritora favorita. Mas acho que vc escreve maravilhosamente.

Ah! E vc é linda demais!



http://fogodeletras.blogspot.com/