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terça-feira, 6 de abril de 2010

Rio Submerso

Foto do site G1

Acho que todo o Brasil está acompanhando as tragédias que aconteceram na cidade Maravilhosa nos dias de ontem e hoje. Eu como moradora saí ontem do trabalho acreditando que era só mais uma chuvinha e quando fui trabalhar de manhã sequer levei o guarda-chuva.
Saindo da empresa, lá pelas 18h30 da noite, achei melhor pegar o metrô. Estava uma ventania horrível e por pouco não fui levada junto com o guarda-chuva, que por sinal parecia mais uma guarda-sol (Cavalo dado não se olha os dentes e esse eu peguei emprestado com uma amiga).
Metrô lotado como sempre e lá fui eu em direção ao meu bairro, na zona norte da cidade. Chegando a estação de metrô achei estranho ver tantas pessoas dentro da estação e aos poucos fui me aproximando da saída e encontrando cada vez mais gente. Estavam todos com cara de assustados e ficavam amontoados dentro da estação e pelas escadas. Saí finalmente passando por todas aquelas pessoas e finalmente pude constatar o que estava acontecendo.
A praça Afonso Pena na Tijuca estava completamente alagada, pessoas se abrigavam embaixo das marquises, nenhum carro conseguia passar e o único que se arriscou ficou parado no meio da praça sem poder ir para os lados, pra frente ou pra trás.
A situação estava preta e eu via algumas pessoas se arriscando a atravessar a rua com aquela água barrenta nos joelhos, outros em cima dos bancos no ponto de ônibus e outros assim como eu, sem reação, parados na saída do metrô com o guarda-chuva na mão.
Resolvi me abrigar no supermercado ao lado, como já havia feito numa dessas chuvas há um tempo atrás. Estavam todos na mesma situação, parados na porta do mercado e olhando a chuva que alagava o Rio de Janeiro.Resolvi entrar e ligar para algumas pessoas e mandar mensagens, mas meu celular mal pegava, fiquei andando pelo mercado procurando sinal. Aos poucos fui ligando e avisando outras pessoas para não voltar pra casa, liguei para meu pai pra dizer que eu estava bem, liguei pra casa pra saber se a rua ainda estava alagada e troquei mensagens com alguns amigos.
Uma amiga que saiu junto comigo do trabalho passou mais de 1h no ônibus da Cinelândia até a Lapa, caminho que geralmente se faz em 10 minutos no máximo. Fui me comunicando com ela por mensagem e fomos nos atualizando aos poucos do estado de cada uma.
Eu parada no mercado, cansada de ficar em pé me juntei a galera que colocou a cestinha de compras ao contrário e sentou aguardando a chuva dar trégua.
Ela persistiu e ao contrário do que eu pensei não parou, fiquei por mais de uma hora presa no mercado até encontrar um  amigo todo ensopado. Ele veio andando na chuva sem guarda-chuva e ficou surpreso de me encontrar no mercado porque não sabia que eu morava por ali.
Depois de saber que eu já estava lá há mais de uma hora ele insistiu pra que eu fosse embora, pois não ia parar de chover tão cedo e eu não morava tão longe assim. Dá uma sensação de impotência ficar tanto tempo parado perto de casa, mas não queria enfiar meus pezinhos naquela água cheia de leptospirose.
Depois de um tempinho meu amigo me convenceu a ir pra casa, a situação não estava tão ruim na minha rua, na praça estava muito pior, mas ainda assim fui de lá até o meu prédio fazendo cara feia.
Cheguei em casa aliviada por ter chegado e corri direto pro banheiro pra tomar um bom banho quente. Recebi mais uma mensagem da minha amiga do trabalho, ela ainda estava presa no trânsito do centro e depois de horas presa na Av. Presidente Vargas resolveu saltar do ônibus e ir andando até a estação do metrô na Central.
Conslusão: O trânsito ficou completamente parado, ruas completamente alagadas, muitas pessoas abandonaram seus carros e quem achava que era só mais uma chuvinha, assim como eu, se viu completamente impotente sem poder voltar pra casa.
Hoje acordei com o meu pai ligando dizendo que a situação estava muito ruim e que não era pra ninguém sair de casa, mas não levei a sério e voltei a dormir até a hora de trabalhar.
Logo em seguida me ligou o segurança da empresa dizendo que hoje não haveria expediente devido ao mau tempo. Recebi também uma mensagem em inglês de um dos funcionários falando que não era pra eu ir.
A partir daí a ficha caiu e fui correndo ligar a televisão, vi que a situação era MUITO pior do que eu poderia imaginar, confesso que quando soube que não iria trabalhar fiquei feliz, mas ao ver toda aquela situação me toquei que não dá pra olhar somente para o nosso próprio umbigo.
Vi quanta gente estava passando necessidade, perdendo suas casas para o temporal, gente que perdia gente com os deslizamentos de terra, famílias inteiras deseperadas e o Rio literalmente parou.
As escolas não funcionaram, muitas empresas também não e o trânsito estava um nó. Algumas pessoas estavam desde a noite de ontem tentando voltar pra casa e não conseguiam e eu reclamando de ficar presa por 1h30 no mercado. Isso não foi nada e apesar do caos na cidade me considero muito sortuda porque tenho uma casa que não alagou, não perdi carro, eletrodomésticos, roupas e nem parentes.
Segundos os jornais esse foi o maior volume de chuvas dos últimos 44 anos, o que corresponderia em média a 300 mil piscinas olímpicas cheias, podendo esse número aumentar.
Confesso que fiquei feliz quando soube que passaria o dia de folga, mas depois de ver os estragos causados pela chuva sinto muito pelas vítimas. Fico pensando nas pessoas mais próximas que conhecemos que moram em áreas de riscos e outras que nem conheço mas já me compadeço.Por isso vamos ajudar de alguma forma as pessoas que não tiveram a mesma sorte.



Como ajudar?

Fonte Jornal O Dia: A prefeitura do Rio já organizou um mutirão para arrecadar donativos para auxiliar os cerca de 200 desabrigados após as fortes chuvas que atingiram a cidade do Rio de Janeiro desde às 17h30 desta segunda-feira. A intenção é arrecadar colchonetes, alimentos não-perecíveis, água, além de roupas para serem doados aos necessitados. Ao todo, dez unidades da Guarda Municipal receberão os donativos.

Confira abaixo o endereços dos postos:

- Centro: no Centro Administrativo São Sebastião (sede da Prefeitura - Rua Afonso Cavalcanti, 455, Cidade Nova)

- São Cristóvão: na sede da Guarda (Avenida Pedro II, nº 111)

- Botafogo: na base operacional da GM-Rio (Rua Bambina, nº 37)

- Barra da Tijuca: na 4ª Inspetoria (Avenida Ayrton Senna, nº 2001)

- Madureira: na 6a Inspetoria (Rua Armando Cruz, s/nº)

- Praça Seca: na 7ª Inspetoria (Praça Barão da Taquara, nº 9)

- Lagoa: 2ª Inspetoria (Rua Professor Abelardo Lobo s/nº - embaixo do viaduto Saint Hilaire, na saída do Túnel Rebouças)

- Bangu: na 5ª Inspetoria (Rua Biarritz, s/n)

- Tijuca: na 8ª Inspetoria (Rua Conde de Bonfim, nº 267)

- Campo Grande: na 13ª Inspetoria (Rua Minas de Prata, nº 200)

7 comentários:

Rogerio disse...

esta parecendo são paulo...onde vamos parar...a natureza mostrando suas garras...e nos homens pensamos nos que mandamos...isso prova que a humanidade não sabe nada e somos otarios em relação a natureza...

Yuri Felix disse...

Passei o dia viajando (literalmente) e ouvi algo sobre chuvas no Rio pelo rádio, mas nem imaginei que fosse essa a situação. Se cuida aí, tá?
Adorei seu blog também. Obrigado pela visita.

Equipe de Redação Ih! Bloguei... disse...

É juju...o bicho pegou na cidade! Voltei de floripa, amarradona, já para viver esse caos...sinistro! Temos que ser solidários...Tb fiz uma matéria e a Hortênsia outra...vê lá depois...roubei a parte da ajuda e vou colocar lá tb!^Passa lá depois...bjuusss Mari

Re - Partida disse...

É, Juju... foi complicada a noite de muita gente... eu saí do trabalho às 18 horas, meu ônibus pra casa ficou preso na Francisco Bicalho, e não andou mais... E a água subindo... Tirei uns cochilos, muita vontade de fazer xixi, comer alguma coisa porque eu não tinha conseguido nem almoçar... E quando vimos, eram 7 horas da manhã! Passei a noite num ônibus, como muita gente! Quando desencalhou, ainda parei no metrô pra ir até a minha casa, ainda tive que enfrentar água até a canela... E cheguei em casa às 8 e meia da manhã. Não foi fácil, mas o que eu tinha na cabeça o tempo todo era que eu estava em segurança, apesar do medo. Sabia que a situação estava pior pra muita gente. A Conde de Bonfim estava totalmente parada também, milhares de carros desligados e gente dormindo...
Mas tudo vai melhorar...
Belo texto!

Manuela disse...

É Ju, a situação realmente é triste, um número alto de vítimas fatais e vítimas desabrigadas. Que peça a natureza está pregando para nós?

Agora é contar com a solidadriedade das pessoas. Recebi um e-mail da Agda ontem e me prontifique a ajudar com alguma doação uma família que perdeu abrigo... todos que puderem fazer, nem que seja pouco será de fato, de extrema importância..

Manu

Thamyzinha Iwasaki disse...

é uma calamidade horrivel, uma cidade tão bela como o rio passando ppor isso, bem é a natureza, só o que podemos fazer é ajudar e torcer que tudo melhore daqui para frente.

se puder da uma passada no meu blog, adoraria ver a sua opinião com relaçõa as minhas composições

http://thamyzinhaeminhascomposicoes.blogspot.com/

xau

Renata Devecchi disse...

Jú...realmente foi sinistro. Saí 18:30 da mesma rua que vc e só cheguei em casa meia noite e meia. Fiquei 4h30min dentro do Ônibus. Desci peguei o metrô no Estácio e enfim cheguei em casa. AGORA É A HORA DE NOS AJUDARMOS...AOS QUE PERDERAM TUDO E AO NOSSO FUTURO EM OUTUBRO NAS URNAS! Grande beijo
Terminando de escrever um texto, em breve estará lá no blog.
Beijo grande